
Gestão de Convênios: Vale a pena gerenciar internamente ou terceirizar?
Se você está na presidência de um sindicato, sabe que a força de uma entidade não se mede apenas pela capacidade de mobilização em assembleias, mas também pelo valor real que ela entrega no dia a dia do trabalhador. É aqui que entram os convênios: saúde, educação, lazer e descontos que, muitas vezes, são o principal motivo de um associado manter sua mensalidade em dia.
Mas surge o dilema que tira o sono de muitos tesoureiros e presidentes: quem deve cuidar disso? Montar uma equipe interna para bater de porta em porta em busca de parcerias ou contratar uma empresa especializada?
Vamos analisar os fatos.
O desafio oculto da gestão interna
Muitos sindicatos começam gerindo seus próprios convênios. Parece lógico: “nós conhecemos nossa base melhor do que ninguém”. No entanto, o que começa com dois ou três parceiros locais pode rapidamente se tornar um pesadelo administrativo.
- A burocracia do credenciamento: Você tem braço para conferir certidões, contratos e a saúde financeira de cada parceiro? Um convênio mal selecionado que deixa o trabalhador “na mão” vira uma reclamação imediata na porta da presidência.
- A manutenção do interesse: Um convênio assinado hoje e esquecido amanhã não gera valor. É preciso atualizar tabelas, conferir descontos e cobrar o parceiro constantemente.
- O custo de oportunidade: Enquanto sua equipe gasta horas conferindo faturas de farmácias ou faculdades, ela deixa de focar na base, na fiscalização de condições de trabalho e na luta política.
Por que a terceirização virou tendência (e necessidade)
Terceirizar a gestão de benefícios não significa “lavar as mãos”, mas sim profissionalizar a entrega. Quando você traz uma empresa especializada para dentro do sindicato, a dinâmica muda:
- Poder de Negociação: Uma empresa que gere benefícios para 50 mil vidas tem muito mais força para baixar preços do que um sindicato sozinho com 2 mil associados. O benefício fica mais barato para o seu associado.
- Filtro Jurídico e de Qualidade: O parceiro de gestão assume a responsabilidade de garantir que aquele serviço é idôneo. Se algo der errado, você tem a quem recorrer contratualmente.
O fator humano: O sindicato volta a ser sindicato
O maior ganho da terceirização não é financeiro, é estratégico. Quando o presidente se livra da microgestão de contratos de convênios, ele ganha tempo para o que realmente importa: ouvir e buscar o melhor para a categoria.
Anunciar para a base que agora eles terão o suporte de uma empresa grande e especializada por si só já traz benefícios extremamente valiosos para a categoria. É passada uma imagem de modernidade e seriedade que atrai o jovem trabalhador, aquele que muitas vezes vê o sindicato como uma instituição burocrática e lenta.

Conclusão: Qual o melhor caminho?
Se o seu sindicato tem apenas dois ou três convênios locais e uma equipe ociosa, a gestão interna pode funcionar. Mas, se o objetivo é crescer, reter associados e oferecer um serviço de excelência que compita com grandes clubes de benefícios privados, a terceirização é o caminho mais curto e seguro.
Gerir convênios é sobre técnica; representar o trabalhador é uma missão política. Não deixe que a primeira atrapalhe a segunda.


